quinta-feira, 27 de maio de 2010

Para onde vamos?

Senti neste momento uma enorme revolta dentro de mim. Porquê que haveremos pelos erros dos mais velhos? Porquê que criticam os jovens, se a educação é um simples eco e foram os mais velhos que nos mandaram vir para aqui?

Fiz uma breve pesquisa na internet, nesta ferramenta dos novos tempos e que tanto nos facilita a vida, mas que ao mesmo tempo pela resposta que nos dá tantos sentimentos nos cria.
O meu neste momento é de raiva, raiva por estar a viver algo que não participei, algo que não concordo e nos dá uma factura para pagar da qual não tive nada a ver.

Diz-nos o dicionário de português que raiva (sentimento) é um sentimento de protesto, insegurança, timidez e frustação, contra alguém ou alguma coisa que se exterioriza quando o ego se sente ferido ou ameaçado.

É este mesmo o sentimento...Temos uma tradição no Porto de entre muitas, o cortejo académico, quando comecei a subir a Avenida dos Aliados e olhei para todos os carros, cartolas e bengalas pensei...para onde vai toda esta gente trabalhar. 5 anos de estudo para quem nunca tenha interrompido e depois o que vemos?

Vemos desemprego, falta de empenho dos jovens no seu proprio futuro (talvez simbolo da falta de motivação), empresas a fechar e um ministro a dizer que vamos aumentar impostos com a maior convicção e sorriso do mundo como se as coisas fossem faceis, e depois?

Bem, esse é o melhor...assaltos, aumento do carjacking, assaltos a talhos e supermercados (bem Saramago escreveu "Ensaio sobre a Cegueira" que à pouco tempo passou para filme). Será que é o filme será um deja-vu do futuro? Mas o melhor são os administradores e responsavéis das empresas que não reconhecem o nosso trabalho, alguns deputados que acham que ganham mal, que as "ajudas de custo" não chegam para as despesas que têm, mas será que chegam para as que não têm.

E as pessoas que recebem apoio para trabalhar nos cafés e pegar e pousar o copo de finos no balcão? Um trabalho árduo para todos aqueles que não trabalham porque não lhe é dada uma oportunidade, mas também para aqueles que não querem trabalhar, pois cansa e envelhece....

A mim revolta-me a pacatez, o desinteresse, o baixar os braços perante as dificuldades, as conversas de café que sucedem mas a falta de iniciativa. Será que Fernando Pessoa tinha razão quando escreveu a Mensagem?

Quero acreditar que sim, porque entre ficar com este peso constante, saber que será a nossa geração pagará uma factura de algo que não consumiu e saber que estará nas nossa maos desenterrar os mortos, prefiro ter a imagem mental que nós seremos os vencedores.

Por muitas palavras que possam ser escritas, por muita rapidez que tecle, por muitas emoções que sejam libertadas, nada é suficiente até ao momento em que nos tratam no nosso país como trapos. Principalmente quando conheço casos de portugueses de sucesso no estrangeiro, querem trabalhar com portugueses licenciados e mestrados pois dizem que somos empenhados, lutadores e eficientes.
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E os formadores e empresários das nossas empresas será que são retardados? Ou será que andam distraídos? Quero acreditar na segunda, porque como portuguesa quero dar o meu contributo ao meu país, mas se ele não me der uma oportunidade, que vou fazer eu? Eu e os milhares de licenciados e mestrados deste país que muitos sacrifícios fizeram, alguns de universidades privadas, que nunca deixaram de acreditar num sonho.

Estamos num túnel em forma de caleidoscópio e o pior é a ignorância das pessoas que continuam a "comer o que os outros lhes querem dar de comer". Não questionam porque muitas vezes não podem, são despedidos. Não era isto que chamavam PIDE? Vivemos claramente num sufoco e numa falta de liberdade. Dizem os entendidos que o objectivo através dos chips, aparelhos móveis, internet...sejamos controlados em tudo o que fazemos e dizemos Será isto arte? Arte é liberdade de expressão e nos além de mal, somos pacatos.

Bem, para já a liberdade não foi abrangida pelo IVA nem por outro qualquer imposto, porém sei que tenho pouco tempo para exprimir aquilo que sinto, se as proprias pessoas não mudarem a forma de encarar o mundo, o dia-a-dia e as pessoas.

Sonho com um mundo melhor e mais justo, não só porque sou nova, mas porque quero que esta parte de mim nunca morra. Acredito e quero acreditar , mas só vai ser possível quando trabalharmos e pensarmos como as formingas...em colónia.

Rosário Rodrigues

1 comentário:

Afifense disse...

"O rei (Sócrates) vai nu!" ... a paciência esgota, já não deve durar muito mais tempo, e é de retaliar a imbecilidade que ele tem feito! Beijo